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LIFE SOS Pygargus: sucesso reprodutor do tartaranhão-caçador aumentou 103% em áreas do projeto na Península Ibérica

Tartaranhão-caçador macho com um rato nas garras. Esta espécie é uma aliada dos agricultores por contribuir para o controlo de pragas agrícolas. Fotografia Marco Neves.Foto 1 - Tartaranhão-caçador macho com um rato nas garras. Esta espécie é uma aliada dos agricultores por contribuir para o controlo de pragas agrícolas. Fotografia Marco Neves.

 

Aliar a agricultura à conservação da natureza é fundamental para salvar esta espécie da extinção  

O sucesso reprodutor do tartaranhão-caçador (Circus pygargus), uma ave migratória em risco de extinção em Portugal e Espanha, aumentou 103% em 2025 devido à campanha “Salvar o tartaranhão-caçador” implementada pelo projeto LIFE SOS Pygargus no território nacional e nas comunidades autónomas espanholas da Estremadura, Galiza, Madrid e Castela e Leão. Graças às medidas de conservação desta campanha, que incluem monitorização de indivíduos, sensibilização e envolvimento dos agricultores e comunidades locais, bem como proteção de ninhos, resgate e salvamento de ovos e crias, esta espécie registou um importante crescimento da capacidade reprodutiva nas áreas de intervenção do projeto na Península Ibérica.

Segundo estimativas realizadas pelos técnicos e investigadores do projeto, sem estas medidas de conservação, apenas 38% dos casais nidificantes que realizam postura teriam conseguido criar pelo menos um juvenil voador. Já com as medidas implementadas no terreno, foi possível auxiliar muitos outros casais a obter sucesso reprodutor, aumentando para 77%, mais do dobro, o número de casais nidificantes com postura que conseguiram gerar descendência.

Mais de 600 ninhos monitorizados e 216 protegidos

Durante a campanha “Salvar o tartaranhão-caçador” de 2025, foram monitorizados, nas áreas de intervenção do projeto em Portugal e Espanha, 618 ninhos desta espécie em terrenos agrícolas e zonas com matos em áreas montanhosas, habitats onde nidifica. Dos ninhos monitorizados, 216 foram alvo de intervenção para garantir a sua proteção quer durante os trabalhos agrícolas, como a ceifa, quer da predação por espécies selvagens e domésticas, através da instalação de vedações de proteção à sua volta. O tartaranhão-caçador, que tem um estatuto de ameaça “Em Perigo” em Portugal e “Vulnerável” em Espanha, nidifica no solo, sobretudo em terrenos agrícolas com culturas forrageiras e cerealíferas. Esta proteção é essencial para aumentar o sucesso reprodutor da espécie, uma ação que é realizada em estreita colaboração com os agricultores, que desempenham um papel central na conservação destas aves.

Monitorização da espécie é feita pelos parceiros do projeto durante o período em que esta se encontra na Península Ibérica, na primavera e no verão. Fotografia PalombarFoto 2 - Monitorização da espécie é feita pelos parceiros do projeto durante o período em que esta se encontra na Península Ibérica, na primavera e no verão. Fotografia Palombar.

Ninho protegido num terreno agrícola. Fotografia Filippo Guidantoni/PalombarFoto 3 - Ninho protegido num terreno agrícola. Fotografia Filippo Guidantoni/Palombar.

"O aumento registado este ano no sucesso reprodutor do tartaranhão-caçador é bastante positivo, tendo em conta que, segundo os dados do primeiro censo da espécie realizado em Portugal em 2022-2023, esta ave se encontrava no limiar da extinção, e, em Espanha, a situação também é bastante crítica", sublinha Joaquim Teodósio, da organização não governamental de ambiente Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural e coordenador do projeto, acrescentado que, “embora o cenário seja ainda muito preocupante, o trabalho de todos os parceiros, envolvendo múltiplos setores e as comunidades, vem trazer esperança de que esta espécie continue a voar pelos nossos campos”.

Resgatados 68 ovos e 53 crias de tartaranhão-caçador

Dos ninhos cuja proteção no campo foi inviável, os técnicos do projeto salvaram 68 ovos e 53 crias, através do resgate no terreno, de forma a evitar a sua destruição ou morte. Os ovos foram transportados para centros especializados, onde concluíram o seu desenvolvimento, e as crias, quer as resgatadas no meio natural, quer aquelas oriundas dos ovos salvos no campo, passaram, em Portugal, por um período de adaptação ao território em estações de aclimatação localizadas no Planalto Mirandês, no concelho de Miranda do Douro, e no sul do país, no concelho de Castro Verde, zonas vitais para a espécie.

Ovo resgatado e avaliado através de ovoscopia no Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (CRAS-HV-UTAD), um dos centros para onde são levados os ovos resgatados. Fotografia Palombar.Foto 4 - Ovo resgatado e avaliado através de ovoscopia no Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (CRAS-HV-UTAD),
um dos centros para onde são levados os ovos resgatados. Fotografia Palombar.

Estas estações foram instaladas para receber os indivíduos resgatados, bem como para recuperar e reforçar a população desta ave numa área específica, potenciando o seu instinto de filopatria, que é a predisposição de uma espécie para estabelecer o seu local de reprodução na mesma área onde nasceu ou passou as primeiras semanas de vida.

Juvenis na estação de aclimatação localizada no Planalto Mirandês. Fotografia Uliana de Castro/Palombar.Foto 5 - Juvenis na estação de aclimatação localizada no Planalto Mirandês. Fotografia Uliana de Castro/Palombar.

Do total de aves resgatadas (ovos ou crias) que passaram por um período de cuidados ex-situ e conseguiram completar o seu desenvolvimento com sucesso, 97 foram devolvidas à natureza, contribuindo para aumentar a população de tartaranhão-caçador nos anos vindouros.

Marcadas 72 aves com GPS

Em 2025, foram também marcados 72 tartaranhões-caçadores com dispositivos GPS/GSM, uma medida fundamental para detetar ameaças que afetam esta espécie, bem como para melhorar as medidas de conservação no terreno. Os emissores permitem monitorizar, em tempo real, as aves marcadas e fornecem informações valiosas relacionadas com o comportamento, movimentos migratórios, áreas de nidificação e alimentação, fatores de riscos, entre outras.

Tartaranhão-caçador marcado com GPS. Fotografia Renata Reynaud/LPNFoto 6 - Tartaranhão-caçador marcado com GPS. Fotografia Renata Reynaud/LPN.

Predação e incêndios rurais têm impacto relevante no sucesso reprodutor

No âmbito da campanha “Salvar o tartaranhão-caçador”, verificou-se que a predação de ovos, crias e adultos tem um impacto relevante no sucesso reprodutor da espécie. Essa predação é feita sobretudo por outras aves de rapina, como milhafres, corujas e bufos-reais, e ainda por corvídeos ou cegonhas, bem como por mamíferos, nomeadamente raposas, entre outras espécies silvestres, ou mesmo animais domésticos, como cães ou gatos. Também foi registada mortalidade por maquinaria agrícola, eventos climáticos adversos, como calor extremo, entre outras causas.

Ninho predado por uma gralha, após ser abandonado pelos progenitores. Fotografias: esquerda fotoarmadilhagem/LPN, direita Alba Cifuentes/LPN Foto 7 - Ninho predado por uma gralha, após ser abandonado pelos progenitores. Fotografias: esquerda fotoarmadilhagem/LPN, direita Alba Cifuentes/LPN .

Os incêndios rurais são outra ameaça que tem cada vez mais impacto sobre esta espécie, quer nas áreas de matos, fustigadas por fogos de grandes dimensões este ano em Portugal e Espanha, quer mesmo nas zonas agrícolas, onde também se verificaram casos de mortalidade de juvenis na sequência dos incêndios em 2025, inclusivamente em regiões historicamente menos afetadas por estes eventos, como em Castro Verde, no Baixo Alentejo.

Sensibilização, voluntariado e colaboração multissetorial

Durante a campanha, dezenas de agricultores e agentes rurais foram envolvidos ativamente na proteção desta espécie e sensibilizados para os serviços de ecossistemas fundamentais que presta, nomeadamente o controlo de pragas agrícolas, tendo colaborado de forma decisiva para o seu êxito. Também contribuíram para as ações da campanha dezenas de voluntários que ajudaram a monitorizar e a proteger o tartaranhão-caçador.

Sensibilização dos agricultores para a importância de proteger a espécie e para os serviços que presta aos ecossistemas, nomeadamente o controlo de pragas agrícolas. Fotografia Palombar.Foto 8 - Sensibilização dos agricultores para a importância de proteger a espécie e para os serviços que presta aos ecossistemas, nomeadamente o controlo de pragas agrícolas. Fotografia Palombar.

Agricultor que colabora ativamente para proteger o tartaranhão-caçador segura, por breves instantes, uma cria durante uma sessão de anilhagem e proteção de ninho no Planalto Mirandês. Fotografia Pedro Alves/Palombar.Foto 9 - Agricultor que colabora ativamente para proteger o tartaranhão-caçador segura, por breves instantes, uma cria durante uma sessão de anilhagem e proteção de ninho no Planalto Mirandês. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Adicionalmente, o projeto avançou com importantes colaborações multissetoriais para conservar estas aves, nomeadamente com a assinatura de um protocolo com o Município de Carrazeda de Ansiães para reforçar a monitorização da espécie na região Norte.

“Um dos objetivos principais do projeto é melhorar a sobrevivência das crias, aumentando a produtividade média da espécie, ou seja, o número de juvenis voadores por casal nidificante, de 0,6 para 1,5 - o limiar da viabilidade populacional. Com as medidas de conservação implementadas este ano, foi possível ultrapassar esse valor, atingindo os 1,98 juvenis voadores por casal nidificante”, destaca Pedro Horta, investigador e técnico do projeto na Palombar.

"Agora, o grande desafio é manter estes valores nos próximos anos. Especialmente nas áreas menos favoráveis para a sua nidificação, do ponto de vista das condições ambientais”, conclui.

Tartaranhão-caçador melânico numa zona com matos em área montanhosa. Fotografia Pedro Alves/PalombarFoto 10 - Tartaranhão-caçador melânico numa zona com matos em área montanhosa. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Cereais amigos do tartaranhão-caçador: segundo ano de ensaios de variedades já arrancou

Com o objetivo de aumentar o habitat disponível para o tartaranhão-caçador, o projeto pretende também contribuir para o crescimento da produção cerealífera nacional, aliando a conservação da natureza ao fomento da agricultura. Nesse sentido, está a testar e a selecionar variedades de cereais mais resistentes e adaptadas ao ciclo reprodutor desta ave e à região Norte. São variedades que contribuem para práticas agrícolas regenerativas e com maior valor acrescentado.

O segundo ano de ensaios das variedades de cereais testadas já arrancou com o seu cultivo na Quinta do Valongo, pertencente ao Polo de Inovação de Mirandela da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte), em Trás-os-Montes, e no Polo de Inovação de Elvas do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), no Alentejo.

O que se pretende com estes ensaios é selecionar as variedades com ciclo mais longo e mais adaptadas ao ciclo reprodutor do tartaranhão-caçador (tendo em conta que a ceifa tardia reduz a mortalidade e aumenta o sucesso reprodutor desta espécie e de outras aves estepárias que nidificam no solo em campos agrícolas); mais adaptadas à região Norte; com maior resistência às alterações climáticas e às principais doenças e pragas, e que protejam a biodiversidade, promovendo o equilíbrio dos sistemas agrícolas.

Segundo ano de ensaios das variedades de cereais testadas já arrancou. Fotografia Palombar.Foto 11 - Segundo ano de ensaios das variedades de cereais testadas já arrancou. Fotografia Palombar.

Acompanhe o projeto no site oficial e redes sociais

O site do LIFE SOS Pygargus foi recentemente lançado e é a plataforma principal de informação sobre o projeto, que também possui páginas nas redes sociais Facebook e Instagram. Acompanhe-nos nestas plataformas.

Estamos a salvar o tartaranhão-caçador da extinção. Fotografia Uliana de Castro/PalombarFoto 12 - Estamos a salvar o tartaranhão-caçador da extinção. Fotografia Uliana de Castro/Palombar.

Sobre o projeto

O LIFE SOS Pygargus - Ações urgentes de conservação das populações de tartaranhão-caçador em Portugal e Espanha é um projeto ibérico cofinanciado em 75% pelo programa LIFE da União Europeia. Conta igualmente com cofinanciamento da Viridia – Conservation in Action, Lightsource bp, Fundo Ambiental e Fundação Biodiversidade do Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico de Espanha.

É implementado por um consórcio que integra a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural (entidade coordenadora), Associação BIOPOLIS-CIBIO, AEPGA - Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, ANPOC - Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais, CCDR-N - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva SA, ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, LPN - Liga para a Protecção da Natureza, MC Shared Services SA, Modelo Continente Hipermercados SA, SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vita Nativa - Conservação do Ambiente, AMUS - Acción por el Mundo Salvaje, Consejeria de Agricultura, Ganaderia y Desarrollo Sostenible - Junta de Extremadura, GREFA - Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autóctona y su Hábitat e Universidad de Murcia.

 

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